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| Praia de Tamandaré litoral sul de Pernambuco. |
18-03-12
Acordara
às cinco e meia, maldita hora que me persegue desde que me invento a escrever.
Uma intensa chuva cai sobre nós e por entre as janelas de vidro as gotículas se
formam minimamente a escorrerem macias pela superfície, como quem deseja ser
pego por entre mãos e pernas em brincadeiras de meninice. Um clima abafado
tentara consumir o ar em que mal os olhos sustentara o despertar. Esperávamos
cientes, impacientes pela recuperação do sol gripado de beleza dégradé. Um anseio corroia aquela mais
maçante desgastada e experiente vida, somos dois pardais, uma loba perante uma
anciã tartaruga carregada de segredos e histórias a contar. O carro não chegara
no horário previsto. Malas prontas carregadas de energia ansiada em ser gasta
até a ultima gota. Uma torrente cai sem parar, durante meia hora seguimos
estrada adentro sem imprevistos, engarrafamentos. Uma onda de calmaria e
satisfação começa entornar o ambiente. A grande culpa talvez venha a ser dos
montes, dos céus os quais por ora nublados, ora encharcados de suor e dos
campos verdes que transbordam diante de nossos olhos demasiadamente sedentos
por cor, vida, amor. O espírito já não suporta mais tanta emoção e se contorce,
revira dentro da caixa corpórea buscando um leve suspiro/redenção para tanta sede, fome, razão.
Um
caminho de uma reverencia inesperada surge com sua rigidez, ornamento e beleza
natural. Fôramos cercados por um corredor imenso de bambus que nos espreitavam
com sua polidez sensata de guardiões da terra e do mar. Prosseguimos inertes,
imersos dentro do carro pelo esverdeado brilho da estrada aparentemente sem fim.
Até o encontro com o nicho que nos esperava para abrigar os dias que seriam
consumidos num pôr dor sol, reconfortando e ajudando-nos a saciar a sede
insustentável.
Uma
leve caminhada na areia da praia amaciara os pés cansados da concretude cimentária
do subúrbio abandonado. O vento teimava em lamber o rosto, os cabelos e os
pulmões anestesiados de tanto ar revolto. As ondas rebatiam sua felicidade
espumante na areia entre as pernas das crianças e seus castelos-mar. Os quais imediatamente foram consumidos sem chances
de respirar.
Corpos
grandes, pequenos, cheios, vazios, duros, macios, novos, velhos puderam se
perder e se olhar nas ondas do raio solar resfriado. Pequenos seres de focinho
comprido, curto, úmidos, pêlos estirados, encaracolados ladram felizes a
companhia do som-mar. E neste momento
lembro de minha amiga canis que não
pude trazer por motivos de locomoção. Imagino-a correndo, respirando a maresia,
e diante de tamanha surpresa ao encontrar uma grande quantidade de água salobra,
recear molhar as patas de felicidade perante o desconhecido e encantado espumar
das ondas.
O
corpo começara a ceder aos encantos de Morpheu, caminhara por entre os sons
maquinários de trombetas, saxofone, bumbos e trombones do carnaval. Onde o
retorno aos jardins suspensos perceberia a inusitada visita de dois viajantes,
os quais procuram, perto de um pé de mangueiral, alguma coisa que os deixe mais
lindos num eterno mural, um lindo casal de Pica-Paus.
A sensação de que o ano começa bem e algo mais falta no coração é sentida com o
calor da noite de verão. E transpirando sede, como um pássaro entornado descansa sua cabeça, seu corpo e sua alma com uma certeza marcada na nostalgia de uma paixão.






